
*(31 de Outubro de 2025 – Lisboa)*
Há concertos que não são só concertos… São reencontros. São feridas antigas que se abrem e se fecham na mesma noite.
São abraços que o tempo levou, mas a música traz de volta.
E este Halloween United, com Moonspell, Dark Tranquillity e Sinistro, foi exactamente isso: uma celebração à vida, aos amigos, aos que cá andam e aos que já não estão, mas continuam vivos em nós… e até àqueles que estando vivos, já desistiram de o estar.
E todos, sem excepção, fazem parte de mim, do Bruno da Costa, do *Likes de um Metaleiro* ; fazem parte desta viagem que é estar Vivo e continuar a acreditar que o Heavy Metal, mais do que Som, é Pertença.
### SINISTRO: A abrir o ritual
Quando entrei na sala, já a banda Sinistro tinham começado. O som vinha algo desequilibrado, com aquela névoa sonora que não se percebe se é intencional ou pura falta de técnica da sala. Mas ainda assim, a banda mostrou confiança e entrega.
O concerto foi curto, sim, mas honesto. Tinha aquele peso cinematográfico, quase ritualístico, que lhes é tão próprio.
Não foi a melhor das condições, mas os Sinistro seguraram o público com classe, uma banda que continua a merecer mais palcos, mas também melhores condições.
### DARK TRANQUILLITY: Elegância e energia nórdica
Depois, o palco ganhou nova luz. Entraram os Dark Tranquillity, vindos directamente de uma longa tour europeia com os Moonspell, dezenas de datas, de Madrid a Helsínquia, de Londres a Milão, e percebeu-se logo que Mikael Stanne estava feliz entre amigos, de regresso a Lisboa.
Carismático, intenso, e com aquele sorriso de quem sabe que vive o que ama.
Deram um concerto irrepreensível, cruzando malhas antigas com as mais recentes, e é curioso como as novas, para mim, soaram das mais fortes.
Houve emoção, entrega e uma ligação com o público que, mesmo sufocado pelo calor, respondeu à altura.
Foi daqueles concertos que lembram porque é que o *melodic death metal* sueco continua a ser uma escola de coração e elegância.
### MOONSPELL: trinta anos depois do lobo, o coração continua a bater
Trinta anos depois do *Wolfheart*, e ainda com a chama de quem não toca apenas música, faz magia.
Quando o Fernando Ribeiro e companhia entraram, o LAV já era um caldeirão. Um inferno literal.
A sala, sem ventilação decente, parecia respirar pelas paredes. Não havia ar, não havia espaço, só calor e suor.
Um apagão entre as trocas de palco denunciava aquilo que já se sentia: a sala não tinha condições.
E a dada altura abriram as portas, não por vontade, mas por necessidade. Muita gente, como eu, preferiu ver o concerto de fora, com o som a chegar em ondas, mas pelo menos com oxigénio para respirar.
Ainda assim… o que se ouviu foi puro ritual.
Tocaram o Wolfheart na íntegra, misturado com temas do Under Satanae e Irreligious.
Um set que me fez viajar trinta anos para trás.
E que momento lindo foi ver a Eduarda Soeiro (Glasya) brilhar em palco, lado a lado com o Fernando, em “Vampiria” e “An Erotic Alchemy”. Não era apenas uma voz de apoio convidada para o efeito, parecia pertencer à banda desde sempre, pura química.
### Quando o metal encontra a humanidade
Confesso que esta noite me deixou dividido.
Porque por um lado, foi uma noite de celebração, de reencontros e abraços. De sentir o peso do tempo e a beleza de ainda cá estar.
Mas por outro, foi também uma noite de desilusão, com certas atitudes e condições.
À última da hora, recusaram-me a credencial de imprensa que me permitiria entrar com a mala e a gear toda para estrear o novo iPhone 17 Pro nestas andanças.
Tinha tudo preparado para filmar duas ou três músicas, de cada actuação, fazer conteúdo, com reportagens e ambiente do local, entregar-vos como sempre um pedaço da experiência.
Mas não me deixaram. E sim, fiquei lixado.
Porque parece que se continua a dar prioridade às cunhas e aos nomes, em vez de reconhecer quem faz e mostra trabalho com paixão e consistência.
Dezenas de pessoas vieram ter comigo durante o evento, com carinho e a dar-me força para continuar. E é isso que me move.
Porque o canal Likes de um Metaleiro é mais do que um #, é uma comunidade, é família, é entrega verdadeira e sem paninhos quentes.
### Epílogo: entre o calor e o coração
No final, a sala parecia uma sauna. O público saía de sorriso rasgado, mas completamente exausto.
Nós, os resistentes, ainda ficámos para o set do **Weird Boy**, que meteu malhas góticas, industriais e metaladas!! um bom equilíbrio para descomprimir.
E ainda houve tempo para ver novamente Fernando Ribeiro e Mikael Stanne, em palco juntos, após um banho rápido e mudança de roupa, numa divertida batalha de músicas.
Foi bonito. Foi autêntico.
E mesmo com as falhas, foi uma noite que levarei comigo! Pela música, pelos amigos, e por tudo o que o Heavy Metal me ensinou sobre resistência e amor à vida.
**Classificação final:**
Bandas: 10/10
Organização e condições: 4/10 💩
Experiência global: 7/10 : mais pela alma e a música do que pelas condições.
Porque no fim do dia, o que fica não são as falhas do som, nem o calor da sala, mas os rostos, os abraços, e as músicas que continuam a salvar-nos!
Bruno da Costa aka Likes de um Metaleiro

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