Antes de Subir ao Palco…
06-12-2025

Ontem voltei ao RCA. (que novidade, não é?) Para um dos meus últimos concertos do ano! Um ritual que se faz quase por instinto! Porque gostamos, porque precisamos, porque é ali que ainda respiramos Cultura sem filtros…
Mas o que hoje seria naturalmente mais uma review/critica a duas excelentes bandas e os seus concertões! Tornou-se noutra coisa…
Uma critica ao marasmo, procrastinação, e apatia das nossas bandas, e do underground em geral.
É que o que deveria de ter sido uma noite daquelas, com duas bandas de qualidade absurda, transformou-se numa espécie de lamento silencioso de como andamos todos a dormir ao volante.
Duas bandas, oito ou mais músicos com talento a rodos, com Zero a apontar ao que fizeram em palco, muito pelo contrário!
Mas, olho à volta e conto: 15, talvez 20 pessoas… Metade delas familiares ou amigos diretos de alguém que ia tocar.
Um RCA pequeno. Encolhido. Quase triste. E não por falta de música ou de talento, tanto em palco como fora dele; que se estende desde o Porteiro e Seguranças espetaculares que conhecemos e nos conhecem a nós, os técnicos empenhados em dar-nos bom som, boa luz e um bom ambiente independentemente da plateia ser curta ou “sold out show”, dos barmans simpáticos e talentosos na arte de bem servir…
Mas porque ninguém soube, ninguém partilhou, ninguém promoveu… ninguém fez o mínimo, “and don’t give a shit”, para que isto existisse antes de existir!
E é aqui que me dá a volta ao estômago.
Temos músicos com milhares de seguidores, vocalistas reconhecidos em diversos projectos, guitarristas de topo que até já vão fazendo tours internacionais…
No entanto, zero divulgação. Zero entusiasmo. Zero presença Online. Não puxam pela banda, não valorizam o trabalho que fazem, nem sequer clicam no maldito botão de “partilhar evento”. É como esperar que a fogueira arda… sem fósforos, sem madeira, e sem ninguém que sequer sopre…
Cada vez mais, vivemos num mundo em que tudo tem de ser Visto para Existir.
Um mundo que pede barulho, presença, repetição, insistência.
Um mundo onde basta não ser visto, para se questionar se algum dia existiu, e eventualmente desaparecer…
E a verdade é basicamente esta: não basta ter bons discos, produções incríveis, vídeos com drones e câmaras 8K!!!
Se ninguém vai ao concerto, nada disto importa.
Não se pagam músicos.
Não pagam deslocações.
Não se vende merch.
Não se cresce.
Não se inspira ninguém.
E enquanto este paradigma do underground português, não mudar, vamos continuar a ter noites assim: salas vazias, bandas incríveis que ficam a tocar para meia dúzia de gatos vadios, eventos que morrem sem sequer terem vivido.
Não é uma questão de reinventar a roda! Tudo isto está feito e estudado há dezenas de anos! É só terem trabalho de a montar e pô-la a RODAR!!
O mínimo que se pede é que as bandas — todas, sem exceção — agarrem nas ferramentas que têm. Os amigos das rádios, Zines, Blogs, Sites, os Instagrams pessoais, os dos amigos e namoradas, Facebooks, TikToks, WhatsApp, stories, reels, memes… o que for! Saltem de rede em rede. Gritem que existem!! APAREÇAM! Chamem a malta. Criem efetivamente um evento onde se queira ir e estar!! É que Amigos trazem amigos! E é assim que se cria comunidade!
Porque se o #UNDERGROUND não se promover a si próprio… ninguém o fará!
E depois não há CD/Vinil, vídeos 8k, Mesa Boogie ou pedal boutique que salve o que ficou para trás… 🙁
Bruno da Costa a.k.a Likes de um Metaleiro
06-12-2025!

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